Incompreensão

Incompreensão

Em uma fria noite, de luar intenso e branda ventania, parei meu carro ao pé de uma

frondosa árvore, para admirar a beleza daquela paisagem.

No silêncio da noite, para minha surpresa, pude ouvir os lamentos que a paineira

dirigia ao vento e a lua. Dizia esta:

 

- Sinto-me triste pela incompreensão dos homens, pois ofereço-lhes o abrigo

das minhas folhas para protegê-los do sol e da chuva. Porém eles não olham para

cima, mirando-se apenas na rudeza de meus espinhos.

 

Abro-me, então, em alvas flores buscando encantar-lhes.

Mas, seus olhos não alcançam as pacíficas flores,

fixam-se na rudeza dos espinhos.

 

Completando o milagre da natureza, cubro-me de frutos. Dada a inacessibilidade

provocada por meu espinhoso tronco, abro os frutos e atiro-lhes a paina,

que recolhida há de servir de enxerto a seus edredons e travesseiros,

o que os protegerá dos rigores do inverno e servirá de macio repouso

às suas cabeças. E, ainda assim, eles só observam

a rudeza de meus espinhos.

 

Assim é a vida daqueles que se prestam a servir a alguma causa. Nada do que

fizeram de bom servirá para aplacar a ira dos críticos.

Pois, estes, mergulhados que estão na acidez crítica, por julgarem-se, sempre donos

da verdade e senhores de toda vontade, não elevam seus olhares além

de suas próprias incompreensões.

 

Carlos Thadeo  (2.002)

 

Texto enviado pela amiga Márcia Regina Suman Monteiro

 

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