***Noite dos tempos***

 

No amanhã,

noite dos tempos,

tempo de trevas,

Sem candeeiros, velas, lâmpadas,

estrelas;

 

Com poetas cegos,

paisagens consumidas

e crianças mecânicas,

heranças do progresso bélico

e do Grã silêncio que somos:

Mudos.

 

Homens mortos, chamados sobreviventes,

procurarão com a voz calada

nos escombros do resto,

no resíduo dos séculos,

um pouco do eco de uma lenda verde.

 

E o uivo ecológico sobrevivente,

vivo e sangrado,

de dentro de uma semente,

tentativa de vida no enxofre,

responderá da restante memória:

 

"Teus antecedentes,

homens sem medidas,

brincaram com a vida".

 

Nelson Albissú

 

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